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29/06/2006 - 13h32

Debutante em Copas, Ucrânia sucumbe à febre do futebol

Das agências internacionais
Em Kiev (Ucrânia)
As crianças ucranianas já não brigam nos campinhos das escolas para decidir quem será Ronaldo ou David Beckham, mas "Sheva", Voronin ou Kalinichenko.

"As pessoas que nunca se interessaram por futebol agora não falam de outra coisa", afirmou com entusiasmo Valia Romanenko, um professor de inglês de 28 anos que dá aulas em uma escola da capital Kiev.

"Todos estão comprando bandeiras da Ucrânia e as colocando nas janelas das casas", afirmou Romanenko.

As bandeiras e camisas amarelas da seleção vendem como água em todo o país. Muitos ucranianos saem nas ruas com a camisa ou a levam ao trabalho. Até mesmo durante sessões parlamentares, deputados ucranianos foram vistos prestigiando a seleção.

As pessoas parecem seguir o exemplo do técnico da equipe, Oleg Blokhin, que costuma usar sempre um uniforme com as cores do país durante as partidas.

Os bares e restaurantes também foram tomados pela torcida. "Todas as nossas mesas estão reservadas com dias de antecipação", afirmou um funcionário do Planeta-Sport, um dos locais preferidos dos torcedores.

A Ucrânia alcançou as quartas-de-final em sua primeira participação em uma Copa do Mundo, depois de conseguir sua independência em 1991 com o desmembramento da União Soviética.

A estrela da equipe, o atacante Andriy Shevchenko, o "Sheva", havia afirmado antes do começo do Mundial que seria um grande êxito conseguir ficar entre os 16 melhores.

Mas conseguir se classificar entre as 8 melhores seleções do mundo reanimou a alma patriótica dos ucranianos, principalmente frente à Rússia. O orgulho ucraniano é ainda maior por ser o único país dos ex-participantes da União Soviética a chegar tão longe.

"Somos a única equipe da Europa que chegou tão longe", afirmou o ferroviário Grigori Medvid, de 30 anos.

"Agora, muito mais gente do mundo inteiro saberá de uma vez por todas que a Ucrânia não é a Rússia. A Rússia, aliás, nem sequer se qualificou para a Copa. Quem é o irmão menor agora?", brincou, em referência ao nome "Irmão maior" dado à Rússia.

As vitórias da seleção também deram fôlego extra ao governo, que tem lutado há três meses na formação de um novo gabinete, em um país em que a economia está estancada e com uma forte alta de preços.

"Se derrotarmos a Itália e o preço do gás triplicar, ninguém estará prestando atenção nisso", afirmou o engenheiro Vassil Androsenko, de 52 anos.

Alguns, mais otimistas, acreditam que o triunfo na Copa pode acelerar a aproximação com o ocidente, uma das prioridades do presidente Viktor Yushchenko, que chegou ao poder com uma revolução pacífica em 2004.

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