Com a classificação para a segunda fase em jogo, a seleção da Ucrânia trata de acalmar os ânimos para enfrentar a Tunísia, nesta sexta-feira, às 11h (de Brasília), no Estádio Olímpico de Berlim. Recuperados no torneio, os europeus precisam de uma vitória para avançar. A Tunísia também tem chance: precisa ganhar da Ucrânia e torcer para a Arábia Saudita não golear a Espanha.
Apontada como favorita a ficar com uma das vagas no grupo H, a Ucrânia teve uma estréia desastrosa no Mundial, sendo derrota por 4 a 0 pela Espanha. De abalada, a equipe passou para a condição de eufórica depois de se recuperar e vencer a Arábia Saudita pelo mesmo placar no jogo seguinte.
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A boa performance de Kalinichenko alçou o meia à condição de estrela
Agora, a missão do técnico Oleg Blokhin é conter essa euforia, e lembrar seus jogadores que a vaga ainda não está garantida. Esse argumento pode ser a motivação que o treinador busca para o time.
"A vitória sobre a Arábia Saudita foi importante e renovou nossa confiança, especialmente tendo sido por uma diferença grande. Mas será difícil motivar os jogadores para o confronto de agora, depois de uma vitória tão fácil", admite Blokhin.
A animação dos ucranianos não esconde a preocupação com os adversários, que estão em posição mais difícil na busca pela vaga. Se, para a Ucrânia, um empate basta (caso os sauditas não vençam os espanhóis por cinco gols de diferença), a Tunísia tem a obrigação de vencer e ainda precisa torcer por um tropeço saudita.
"A Tunísia vai se preparar muito bem para nos enfrentar", prevê o meio-campo Rebrov. "Quando nós perdemos de 4 a 0 para a Espanha, a Arábia Saudita não se preparou direito e nós conseguimos mostrar um bom jogo. Então, desta vez, os tunisianos vão fazer uma boa preparação."
Mesmo perdendo para a Espanha, os tunisianos ficaram satisfeitos com sua atuação. E a provável escalação para a partida contra a Ucrânia mostra que a seleção colocará toda sua força em campo, não importando se os jogadores têm ou não cartões amarelos. Nada menos que oito prováveis titulares já levaram um cartão e, se a seleção avançar, podem ser desfalques nas oitavas-de-final.
A Ucrânia deverá ter em campo Kalinichenko, que também já recebeu um cartão, mas que foi o grande destaque do jogo contra a Arábia, dando passe para dois gols e marcando também o seu, para ser eleito pela Fifa o melhor em campo.
PENDURADOS
A Tunísia tem quase um time inteiro pendurado com um cartão amarelo. Se a seleção avançar para a segunda fase, poderá ter dificuldades para montar a equipe titular, dependendo do comportamento dos jogadores na partida desta sexta, contra a Ucrânia.
Os defensores Trabelsi, Jaidi, Ayari e Haggui; os meias Mnari,Chedli e Bouazizi; e o atacante Jaziri devem começar como titulares. Também já têm cartão os atacantes Chikhaoui e Guemamdia.
A lista da Ucrânia é bem menor, mas inclui jogadores importantes como Kalinichenko, o melhor em campo contra a Arábia Saudita, e Rusol, autor do primeiro gol ucraniano em uma Copa do Mundo, também contra os sauditas.
Os zagueiros Sviderskiy, Nesmachniy e Yezerskiy completam o grupo, mas este último deverá ficar no banco, pois ainda não se recuperou de uma lesão.
O zagueiro Vashchuk, que ficou fora da última partida por ter sido expulso no jogo contra a Espanha, volta ao time.
O capitão Shevchenko, titular desde a estréia na Copa, mesmo depois de ter ficado um mês parado por causa de uma lesão no joelho, mostrou estar melhor a cada partida. Mesmo dizendo que "ainda não estava 100%", depois da vitória sobre os sauditas, não foi isso o que apresentou em campo, marcando um dos gols do jogo.
A baixa deverá ser Yesersky, que ainda não se recuperou bem de uma lesão na coxa. O problema já o havia deixado fora do confronto contra os sauditas.
Do lado da Tunísia, o defensor Jemmali continuará fora, por causa de uma lesão no tornozelo direito. E as esperanças de recuperação do brasileiro naturalizado Francileudo dos Santos, principal atacante da seleção, ainda existem, mas são pequenas. Ele ainda não entrou em campo na Copa do Mundo e fez seu primeiro treino com bola nesta quinta-feira. A liberação do jogador, que tem um problema muscular, está nas mãos dos médicos da seleção.
Sem Francileudo, a Tunísia tem tentado se virar. E até tem começado bem nas partidas, só que não tem conseguido segurar o resultado a seu favor. Na partida contra a Arábia, o time foi para o intervalo vencendo por 1 a 0, mas tomou a virada e só arrancou o empate nos acréscimos.
A Espanha, que estava embalada pela vitória sobre a Ucrânia, levou um susto ao tomar um gol da Tunísia aos 8min do primeiro tempo. Conseguiu segurar a vantagem até o intervalo, mas sucumbiu à pressão espanhola no segundo tempo.
O técnico Roger Lemerre espera que, contra a Ucrânia, a história seja diferente. "Eu poderia prever o mesmo cenário, só que desta vez temos de manter a vantagem até o final", diz.
"Temos tido dificuldade para manter o ritmo contra grandes adversários. Acho que nossa tática funcionou contra a Espanha, mas temos de nos concentrar mais, mostrar mais habilidade, ser mais ofensivos", orienta. "A vitória agora é essencial. Não há como escapar. Não há mais cálculos a serem feitos", completa.
Lemerre treinou os jogadores esta semana preocupado com o desgaste físico da partida contra a Espanha. Mas o meio-campo Nafti tranqüiliza o técnico, dizendo que a adrenalina irá mover o time contra a Ucrânia. "90 minutos não representam nada quando você está em busca de uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo", garante.
A Tunísia perdeu seus últimos dez jogos na Copa, o pior saldo entre todas as seleções que disputam o Mundial da Alemanha. Em sua quarta participação, o time tenta avançar às oitavas-de-final pela primeira vez. E a primeira vitória desde 1978, quando bateu o México, por 3 a 1.
A Ucrânia, em sua primeira participação na Copa como nação independente, quer fazer uma boa campanha, e alegrar a torcida. Para os torcedores ucranianos, a vitória sobre a Arábia Saudita foi como "uma prova de patriotismo" dos jogadores.
E, agora, o time não quer arriscar. "Todo mundo está falando sobre o empate, que seria suficiente para nos colocar nas oitavas, mas acho que isso é perigoso. Não se deve jogar pelo empate, mas sim, jogar para vencer", aconselha Shevchenko.
Ucrânia Shovkovskiy; Rusol, Vashchuk, Nesmachniy; Shelayev, Gusev, Tymoschuk, Kalinichenko; Rebrov; Shevchenko, Voronin.
Técnico: Oleg Blokhin
TunísiaBoumnijel; Trabelsi, Jaidi, Haggui, Ayari; Namouchi, Mnari, Chedli, Nafti, Bouazizi; Jaziri.
Técnico: Roger Lemerre
Local: Estádio Olímpico de Berlim
Capacidade: 66.021
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Assistentes: Amelio Andino e Manuel Bernal (PAR)
Horário: 11h (de Brasília)