Quem nunca ouviu alguma teoria sobre quem será o campeão da Copa do Mundo? Indícios que levam uma ou outra seleção ao título? Existem várias maneiras de se observar coincidências. Basta ter uma pouco de imaginação e acreditar.
A três dias da abertura do Mundial entre Alemanha e Costa Rica, em Munique, o
UOL resolveu mergulhar fundo no assunto e procurou reunir o máximo delas possíveis. Alguns vão agradar ao técnico Carlos Alberto Parreira. Já outras...
Uma pirâmide de autor desconhecido, por exemplo, aponta que o Brasil tem tudo para conquistar o hexacampeonato em 2006.
A teoria não tem uma explicação lógica, mas, ao fixarmos o título da Itália em 1982 como o cume, tudo caminha para um desfecho positivo. Se formos colocando progressivamente os campeões de um lado e de outro, podemos perceber uma feliz coincidência. Pela pirâmide, campeão em 1958, o Brasil repetiria a dose neste ano.
O único 'problema' aparece nos mundiais de 1966 e 1998. Mas aí encontramos uma explicação convincente. Além de pertenceram ao continente europeu, Inglaterra e França conquistaram nestes anos suas únicas Copas e conseguiram o feito jogando em casa.
Temos ainda a seqüência do tri. O primeiro tricampeonato da seleção foi conquistado justamente em 12 anos: 58, 62 e 70. Ou seja, se vencer em 2006, o Brasil terá novamente conquistado três títulos mundiais em um período de 12 anos.
Mas Parreira não tem apenas aspectos positivos. Um outro levantamento aponta que, em 2006, o campeão será um representante do Velho Continente. Motivo: na briga entre europeus e sul-americanos pela hegemonia mundial nunca houve uma diferença de dois títulos entre os continentes.
Com o pentacampeonato da seleção brasileira na Copa do Japão e da Coréia do Sul em 2002, a América do Sul impôs 9 a 8 no placar. Assim, para manter esta escrita, um europeu vai faturar o título, para tristeza de brasileiros e argentinos.
Outro tabu que atrapalha as aspirações sul-americanas é o jejum de títulos em terras européias. Desde 1958, quando o Brasil venceu na Suécia, nenhum time de fora da Europa consegue erguer a taça quando o Mundial é disputado no Velho Continente.
Existe mais uma coincidência nada boa para o Brasil: não ter nenhum jogador do Palmeiras no grupo. Nas cinco conquistas, o Brasil contava sempre com ao menos um representante do time de Parque Antarctica.
Em 1958, havia Mazzola; em 1962, Djalma Santos, Zequinha e Vavá; Em 1970, Baldocchi e Leão; em 1994, Zinho e Mazinho; e, finalmente, no último triunfo brasileiro, Marcos. Neste ano, o goleiro pentacampeão estaria na lista não fosse uma contusão para atrapalhar.
Por outro lado, a convocação do são-paulino Rogério Ceni pode ser considerada benéfica. Ao lado do rival, o São Paulo também teve um representante em todos os títulos da seleção.
De Sordi, Mauro e Dino Sani foram ao Mundial de 58, enquanto Bellini e Jurandir estiveram no Chile, quatro anos mais tarde. Gérson foi o são-paulino em 1970. Em 1994, nos Estados Unidos, o Tricolor teve cinco representantes: Zetti, Cafu, Leonardo, Ronaldão e Muller, dois a mais que há quatro anos, quando Rogério Ceni, Belletti e Kaká faziam parte do grupo de Luiz Felipe Scolari.
A "sorte" são-paulina foi reforçada pelo volante Mineiro, chamado para o lugar de Edmílson, cortado por contusão já durante a preparação do selecionado de Parreira.
Mas as coincidências ou teorias não ficam restritas ao Brasil. A Itália é outra seleção que tem motivos para acreditar que, na base da superstição, a Copa de 2006 será boa para a Azzurra. Algumas coincidências conspiram para que a equipe saia do longo jejum de 24 anos em que se encontra.
A primeira é a teoria dos "12 anos". Segundo ela, desde 1970, a Itália chega a final da Copa do Mundo a cada três edições. Na prática isso significa: chegou as finais de 1970, 1982, 1994 e... 2006?
A mesma tese diz, ainda, que o selecionado da bota perde uma final, e vence a seguinte. Perdeu em 1970 para o Brasil por 4 a 1, venceu em 1982 a Alemanha por 3 a 1. Perdeu para o Brasil nos pênaltis em 1994, e em 2006, portanto, levaria o seu quarto caneco.
EFE
Cannavaro deixou a concentração e voltou à Itália para depor sobre máfia
Outra coincidência que "conspira" a favor da Azzurra é o momento pelo qual o país passa. Brigada com a imprensa e manchada pela máfia do apito que escandaliza o país nos últimos meses, a Itália se encontra em situação semelhante à que viveu antes da Copa de 1982, ano de seu último título.
À época, outro escândalo envolvendo manipulação de jogos havia colocado a imprensa em pé de guerra com a equipe e assombrado o "Calcio". Muitas foram as conseqüências: Milan e Lazio foram rebaixados para a segunda divisão em 1979/80, e atletas foram suspensos do futebol por longas datas - entre eles, o atacante Paolo Rossi, considerado o grande herói do título italiano na Espanha. Rossi foi condenado a três anos de gancho, pena que posteriormente foi reduzida para dois anos, o que permitiu que o centroavante participasse daquela Copa.
Já no elenco italiano que disputará o Mundial da Alemanha, o goleiro Buffon e o capitão Canavarro, entre outros, já tiveram que depor às autoridades que investigam o caso. Será que as "máfias" dão sorte aos italianos?
A Inglaterra também entra na onda das coincidências. Em 1966, os ingleses eram o país-sede da Copa do Mundo e optaram por uma inovação. Os organizadores criaram uma mascote para a competição e parece que o leãozinho Willie deu sorte para a seleção anfitriã. Pela primeira e única vez na história, a equipe inglesa conseguiu levantar o troféu de campeão mundial.
Quarenta anos depois, os alemães podem ter cometido um erro terrível. Eles resolveram plagear a mascote de 1966 e escolheram o leãozinho Goleo para representar a Copa deste ano. Será que dessa vez o animal, que é símbolo da Inglaterra, irá trazer o bicampeonato para o país?
Reprodução
Willie deu sorte à Inglaterra no Mundial de 1966, quando venceu em casa
Além da coincidência das mascotes, os ingleses podem contar com mais uma artimanha para conquistar seu segundo título. Assim como em 1966, o Manchester United poderá ser crucial para levar a taça. No ano em que a Inglaterra foi campeã, a equipe possuía três jogadores do clube inglês: Nobby Stiles, Bobby Charlton e John Connelly. Dessa vez, a história se repete, já que Rooney, Ferdinand e Neville defendem a camisa do time de Old Trafford.
Para que a profecia realmente aconteça, os ingleses vão ter que torcer muito para que o atacante Rooney se recupere da fratura no pé a tempo de não ser cortado da seleção. Caso contrário, é bom que os torcedores se preparem para outro fiasco.
Já a Alemanha, país-sede desta Copa do Mundo, pode se gabar de ter derrotado seleções antológicas nas finais da Copa do Mundo.
Em 1954, a equipe conseguiu seu primeiro título mundial após vencer a memorável seleção húngara liderada por Puskas por 3 a 2. Para os alemães, o segredo para vencer começa com um time desacreditado que precisa vencer a melhor equipe da competição. Em 1974, a história novamente se repetiu. A Alemanha pegou o inesquecível Carrossel Holandês de Cruyff na final e ganhou por 2 a 1.
Ou seja, é só ter uma equipe considerada imbatível que a Alemanha vai lá e ganha o título na final. Será que isso acontecerá novamente, dessa vez com o "Quadrado Mágico" de Ronaldo, Adriano, Kaká e Ronaldinho Gaúcho? Se a Alemanha conquistar seu tetracampeonato, com certeza será uma das equipes mais odiadas da história do futebol.
As coincidências existem. Resta saber qual delas irá se confirmar (ou não) no dia 9 de julho, quando duas seleções estarão em campo para a decisão da Copa do Mundo.