06/07/2006 - 08h32
Apesar da língua comum, torcidas de Brasil e Portugal tropeçam na harmonia
Vicente Toledo Jr.
Enviado especial do UOL
Em Munique (Alemanha)
Brasileiros e portugueses falam a mesma língua. Mas isso não significa que eles consigam se entender bem, principalmente quando estão aos berros nas arquibancadas de um estádio de futebol.
Lado a lado na última quarta-feira, em Munique, os dois povos logo perceberam que fazer todo mundo cantar junto seria tão difícil quanto parar a França de Zidane. A começar pelo nome do país. Enquanto eles gritavam "PUrtugal", alguns "POrtugal" saltavam aos ouvidos.
Para compreender alguns dos gritos de guerra, só com a ajuda de um tradutor, no caso o "gajo" sentado logo ao lado. Talvez por isso os brasileiros continuassem imóveis quando os portugeses puxavam um "quem não salta, quem não salta é francês, olê, olê".
Lendo assim parece moleza, mas adicione o sotaque carregado ao barulho de milhares de vozes ao mesmo tempo e uma simples frase em bom português é tão compreensível para nós como se fosse em alemão.
É claro que na grande maioria dos casos dá para ouvir perfeitamente o que eles estão dizendo. O problema é que o significado nem sempre é o que se imagina. "À borda!", alertou um português. Um brasileiro desavisado poderia ficar horas procurando a piscina, quando o colega só queria uma jogada pela lateral.
"Vai apanhar!", berrou outro português. Mas para a surpresa de alguns brasileiros mais exaltados, não se tratava de uma ameaça. Era apenas mais um apressado torcedor pedindo que seu jogador fosse buscar a bola.
Nem mesmo na hora de ofender o árbitro uruguaio Jorge Larrionda as duas torcidas mostraram entrosamento. Nos palavrões, elas até se entenderam bem, pois são praticaamente os mesmos nos dois países.
E nem é tão incomum assim ouvir alguém xingar o outro de "rasgado" no Brasil. Mas muitos brasileiros demoraram para entrar no coro de "gatuno, gatuno" quando o juiz deixou de marcar um pênalti a favor de Portugal.
Pior para as duas torcidas, que ao final do jogo tiveram de suportar calados os " allez, les bleus!". Uma frase que não é em português, mas que brasileiros e portugueses já aprenderam de tanto ouvir pelos estádios do mundo.