EFE

Scolari reconhece a força do time francês, mas não se entrega
O técnico da seleção portuguesa, o brasileiro Luiz Felipe Scolari, vê a França, rival da semifinal da Copa do Mundo nesta quarta-feira, às 16h (horário de Brasília), como favorita para a partida, mas acredita que sua equipe tem condições de "mudar a história".
"Por tudo o que já fez, os títulos que conquistou e mesmo pelas vitórias no passado sobre Portugal, a França é a favorita, mas estamos realizando jogos muito bons. Portugal tem se superado e vai tentar alcançar um resultado positivo e mudar a história. Nem sempre os favoritos vencem", comentou o treinador, em entrevista coletiva nesta terça, em Munique, local da partida.
As duas equipes vão se enfrentar pela primeira vez em Mundiais, mas, com 15 vitórias, um empate e cinco derrotas, os franceses aparecem na frente no confronto direto.
FUTURO
Pretendido pelos maiores clubes e seleções do mundo, Scolari disse que só fala sobre seu futuro em agosto. "Não quero falar nada sobre meu contrato com Portugal até 31 de julho. Tenho de estar concentrado no Mundial. Quando acabar, vejo o que fazer, juntamente com o presidente, o meu agente e a minha família. Não penso no Brasil, em Portugal ou em outra seleção ou clube. Só penso no que podemos conseguir com uma vitória. É a história de Portugal que pode ser mudada. Tenho de dar exemplo aos jogadores", afirmou.
Leia mais"No nosso histórico contra a França não temos vantagem. Pelo contrário, temos uma grande desvantagem. Vamos trabalhar esse aspecto com os nossos atletas, porque nada é definitivo. Há sempre uma oportunidade de mudar este histórico. A seleção tem primado pela alteração de alguns resultados que antes aconteciam e esta é uma boa oportunidade para mudar o que temos tido com a França", afirmou o técnico.
Independente do adversário, Scolari afirmou que o fato de estar na semifinal da Copa faz com que Portugal sonhe em chegar à decisão. "Já estamos entre os quatro melhores e agora existe o sonho de ser campeão. Estamos a um jogo, a uma vitória de poder disputar o título. Podemos sonhar", disse.
Scolari comentou os "ataques" que Portugal está sofrendo da imprensa francesa, em especial do jornal "France Soir", que disse que os portugueses são violentos. Costinha é apontado como um "vilão", enquanto Petit é tido como "bruto". Deco foi rotulado de "selvagem", e Scolari se tornou um "um alvo a ser abatido".
"É só dispararem, estou aqui", brincou, ao melhor "estilo Felipão", abrindo os braços como se esperasse um tiro no peito. "Vamos falar de futebol e não dar importância a isso. Muita gente que escreve nem sabe bem o que está fazendo. Em todo o lado acontecem comportamentos errados, mas não vamos entrar nesse caminho."
SEM POUPAR
Portugal tem cinco jogadores "pendurados" com cartão amarelo, Ricardo, Figo, Nuno Valente, Ricardo Carvalho e Maniche, mas Scolari não pensa em poupar ninguém.
"Para chegar à final, tem de passar pela semi, por isso não vale a pena condicionar tudo isso. Se você tem 24 jogadores [uma alusão a Jorge Andrade, que acompanha o elenco], tem de confiar em todos e eu confio neles. Se não puderem jogar, entra outro, por isso foram convocados. Se acontecer um cartão, não há problema nenhum", comentou.
A "estratégia" já havia sido feita pelos ingleses antes dos duelos das quartas-de-final. "Não sei se esse comportamento revela medo, é uma forma de colocarem algumas situações que não são realidade. Nos últimos três anos e meio, Portugal teve dois cartões vermelhos, ambos contra a Holanda, nas oitavas deste Mundial. E a França durante este período, será que teve menos cartões vermelhos? É um jogo de palavras que não interessa."
Especificamente sobre a equipe da França, Scolari definiu como "pior adversário que poderia cair". Os franceses foram analisados por Paulo Souza, ex-jogador de Portugal e hoje observador da seleção. "É um time altamente organizado, com jogadores de muita qualidade, estatura elevada e uma sincronia de movimentação muito interessante. Será o jogo mais difícil, talvez mais ainda do que na final."