EFE
Borgetti (2º à direita) treina com a seleção para jogo com a Argentina
O México enfrenta neste sábado a Argentina nas oitavas-de-final, às 16h (de Brasília) em Leipzig. Não bastasse o desafio de passar por uma das melhores seleções da Copa na 1ª fase, dona do melhor ataque da competição até o momento, ao lado da Alemanha e Espanha com oito gols, os mexicanos terão de superar sua deficiência no ataque.
Com média de 1,33 gol marcado por partida da Copa, o ataque mexicano não se encontra nem entre os dez melhores do Mundial na fase inicial. Apesar de contar com jogadores de razoável prestígio junto à torcida e à crítica, como Borgetti, Omar Bravo, Guillermo Franco e Fonseca, o setor tornou-se a grande dor de cabeça da seleção nos amistosos anteriores à Copa, e ainda mais durante a competição.
Na partida de estréia, a equipe começou bem, vencendo por 3 a 1 os iranianos, com dois gols de Bravo e um do meia Zinha. No início do 2º tempo, quando o placar apontava 1 a 1, o centroavante Borgetti, titular absoluto da equipe, sentiu uma contusão na coxa esquerda e teve de ser substituído.
O problema de Borgetti deixou o jogador de fora nas partidas seguintes contra Angola e Portugal, quando os mexicanos marcaram somente um gol na derrota para a seleção lusa.
Diante dos angolanos, o México não passou de um empate por 0 a 0 e poucas chances foram criadas. Já contra a equipe treinada pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari, a equipe levou dois gols e sofreu um, mas perdeu diversas chances claras de gol. A mais importante delas foi um pênalti desperdiçado por Bravo, que chutou forte e alto demais e isolou a bola na arquibancada.
"Para ganhar, tem que guardar a bola na rede. Assim é o futebol", afirmou o treinador Ricardo La Volpe sobre o desempenho do time no ataque. "Não estamos anotando os gols, mas estamos encarando os rivais com bom futebol. Espero que nas oitavas-de-final a sorte nos apareça, porque é isso que nos falta", analisou o técnico.
Bravo, que viu seu desempenho despencar depois dos gols marcados sobre o Irã, não consegue apresentar explicação plausível para a dificuldade em marcar gols. O jogador do Chivas Guadalajara, que marcou no confronto com o São Paulo na Libertadores vencido pelos mexicanos em casa, costuma ser infalível nas cobranças de pênalti. Mas, depois de ver todos seus chutes se perderem pela linha de fundo ou serem defendidos pelo goleiro português Ricardo na última quarta-feira, viu sua confiança abalada e cobrou muito mal.
"Fiquei mal com o que aconteceu na cobrança, mas o futebol nos dá novas chances", perdoou-se Bravo. "Haverá outros 90 minutos, e outros pênaltis, e aqui estarei. Isso acontece com todos os artilheiros", afirmou o atacante, que será titular diante da Argentina.
O dianteiro Guillermo Franco, que atua pelo Villarreal, da Espanha, avaliou por sua vez que a falta de gols pode vir sendo causada pela pouca tranqüilidade dos atacantes no momento da conclusão. Mas o jogador, que é argentino naturalizado mexicano, acredita que a situação pode se alterar, acompanhada de uma dose de boa sorte.
Para Franco, "é certo que não estamos marcando, mas estamos criando as oportunidades e isso é importante. Precisamos ter mais tranqüilidade para definir, assim como um pouco mais de sorte". Guille, como também é chamado pelos torcedores, acredita que "o gol vai chegar, porque o México tem bons atacantes e bons jogadores para marcar".