
Faz vários dias que o Mundial terminou para as seleções da Argentina e do Brasil, mas os torcedores que foram à Alemanha para apoiar seus times agora estão presos, já que não podem voltar a seus países por falta de vôos.
Ambas seleções foram eliminadas nas quartas-de-final, mas muitos torcedores continuam a percorrer as cidades alemãs pela impossibilidade de regressar a suas casas.
"A verdade é que queria voltar rápido, mas é impossível, não há vôos", disse à Reuters Nicolás, um argentino que andava pelas ruas de Nuremberg com várias sacolas nas mãos. "Aproveito para comprar presentes. Estou na lista de espera para um vôo na segunda-feira, 11 de julho."
"Eu por sorte estou na lista de espera para sexta-feira, tomara que consiga ir, porque estar na Copal sem a Argentina é uma tristeza", declarou Sergio.
Mas os argentinos não são os únicos com esse problema.
"Eu tinha volta marcada para São Paulo para a quarta-feira (12 de julho). Como o Brasil perdeu, eu queria voltar antes, mas é impossível", contou Eduardo, um médico de 56 anos que apesar da derrota de seu time passeia com a camiseta verde-amarela que diz "penta".
As possibilidades de voar para a América do Sul nestes dias são muito poucas, disseram à Reuters os operadores de várias linhas aéreas.
Na Aerolíneas Argentinas "não há nenhum lugar até sexta-feira (7 de julho). Não há lugares, há muitos torcedores argentinos e brasileiros querendo trocar suas passagens da semana que em para esta, mas é quase impossível", informaram no centro de atendimento ao cliente da empresa.
Na chilena LAN as coisas não são mais fáceis. Partindo da Alemanha se pode chegar a Madri, mas para sair da capital espanhola seria preciso esperar até princípios de agosto", informaram funcionários da empresa.
A única possibilidade é um longo trajeto com escalas que incluem a cidade equatoriana de Guayaquil, mas neste caso também os primeiros lugares disponíveis são para os "primeiros dias da próxima semana".
De mal a pior
A espanhola Iberia vive uma situação parecida. Um representante do atendimento ao cliente disse à Reuters que "não há nada até metade de julho. Muita gente quer trocar seus bilhetes por causa da Copa, mas além disso nesta época sempre é difícil, as passagens vendem que nem água".
Mas as piores perspectivas são as de quem pretende voar pela Varig.
A empresa enfrenta problemas financeiros há vários anos e acumulou uma dívida de mais de 7 bilhões de reais, e no ano passado recorreu à Justiça para evitar a falência e está em processo de recuperação judicial.
Há várias semanas a empresa, que mantém em operação pelo menos a metade de sua já reduzida frota de 61 aviões, teve numerosos itinerários domésticos e internacionais suspensos.
"Não há nada até dia 12 (de julho), está tudo cheio. Há muitos vôos cancelados e muitas trocas de passagens por causa da Copa", disse um representante do atendimento ao cliente.
"Além disso, Frankfurt é um dos poucos lugares de onde saem vôos, muita gente vem de Paris e Milão para poder voltar ao Brasil", acrescentou.
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