ZIDANE EM AÇÃO

Zidane abraça Ronaldo antes do início da partida em Frankfurt

Em campo, francês disputa bola com o apagado brasileiro Kaká

Craque abraça Henry depois da dar o passe para o gol francês

No fim do jogo, Zidane consola Robinho, companheiro de Real
No túnel de entrada, Zidane beija Roberto Carlos, aperta a mão de Cafu e puxa a fila dos franceses. Entra em campo, lê a mensagem em francês encomendada pela Fifa para a campanha contra o racismo e se perfila para os hinos nacionais. Toca a Marselhesa, e Zidane não canta, olha fixo. O jogo começa, e ele mostra que será o maestro francês, o melhor jogador da partida eleito pela Fifa.
Zidane pedala diante da marcação brasileira e lança para Henry, no primeiro de seus constantes impedimentos. Aos 7min, se repete a cena. O meia percebe que tem liberdade em campo, se aventura pela esquerda e pelo meio. Kaká tenta marcar, mas só pára o francês com falta. Ele usa o corpo para proteger a bola. Na frente de Cafu, usa as duas pernas para driblá-lo. Suas bolas alçadas na área são um perigo.
No último minuto do primeiro tempo, ele faz seu lance mais bonito: dribla dois brasileiros, puxa o contra-ataque lançando para Vieira, que é derrubado por Juan na frente da área.
Mas os lances que mostrariam sua maestria estariam por vir no segundo tempo. Aos 10min, dá um chapéu em seu amigo Ronaldo. No lance seguinte, novo chapéu na marcação rival. Aos 12min, faz a jogada mais importante. Cobra a falta em que alça a bola na área para Henry desviar para o gol.
É hora de se soltar na comemoração. Zidane corre, braços abertos, sorriso largo, para o abraço em Henry.
Nos minutos finais, o Brasil pressiona. A França recua, e Zidane ajuda na marcação. Com classe, o meio-campista rouba a bola e gasta o tempo. Sofre falta e esfria a seleção brasileira. E oito anos depois, repete a história. Eleito o melhor em campo pela Fifa, Zidane é de novo o carrasco do Brasil na Copa do Mundo.
"Nós precisávamos de um grande jogo e merecemos tudo isso. Nós sabíamos que tínhamos de ser fortes fisicamente e assim fomos", comentou o jogador, de 34 anos, após a vitória.
"Lutamos muito e merecemos a vitória. Agora, tentaremos um lugar na final. Não queremos parar. Isso tudo é muito bonito e queremos ir além", completou.
Assim como na final da Copa de 1998, quando anotou dois gols, Zidane foi o mentor da seleção francesa na vitória sobre o Brasil. Ele foi o jogador que mais recebeu bolas pela França e acertou 48 dos 53 passes que tentou, de acordo com levantamento do "Datafolha".
Zidane ainda foi perfeito nos dribles, acertando as cinco tentativas, e ainda foi o jogador que mais sofreu faltas do time francês, com quatro. No total, foram sete lançamentos, sendo dois certos, além de seis cruzamentos (três certos, três errados). O meia pecou nas finalizações, com duas, todas erradas, mas ainda ajudou na defesa e conseguiu oito desarmes, todos completos.
Por tudo isso, Zidane deixa o campo ovacionado pela torcida. O craque bate palmas e retribui o carinho do público. O jogador ainda encontra tempo para consolar os brasileiros Cicinho e Robinho, companheiros de Real Madrid.
Agora ele se prepara para a última semana da carreira. Quarta-feira, em Munique, tem jogo contra Portugal pelas semifinais. E Zidane quer mais. Ele quer se despedir no domingo, na final da Copa, em Berlim.