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22/06/2006 - 17h07

Com time 100% reserva, Espanha busca liderança do grupo

Da Redação
Em São Paulo
A Espanha enfrenta a Arábia Saudita nesta sexta-feira às 11h (de Brasília) em Kaiserslautern com um time formado somente pelos seus jogadores reservas. Já classificada para as oitavas-de-final pelo Grupo H, a equipe européia precisa apenas de um empate para conquistar a liderança. Já os sauditas, comandados pelo brasileiro Marcos Paquetá, precisam de um milagre para ficar entre os 16 melhores desta Copa do Mundo.

Reuters

O jovem Fábregas foi elogiado por Aragonés no jogo contra Tunísia

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De olho no primeiro lugar do Grupo H, o técnico Luis Aragonés entrará em campo com um motivado time, com jogadores que buscam impressionar e conquistar uma vaga na equipe titular. Dos onze escalados para jogar contra a Arábia Saudita, somente quatro -Fábregas, Raúl, Joaquín e Albelda- tiveram a oportunidade de jogar alguns minutos neste Mundial.

"As duas equipes têm treinado bem. Tenho tanta confiança em uma como na outra. Colocarei os reservas, mas precisamos da vitória de qualquer forma, pois quero ficar em primeiro do grupo", destacou o técnico espanhol.

Se empatar com a Arábia Saudita ou perder o jogo, os espanhóis terão que torcer por no máximo uma vitória magra da Ucrânia contra a Tunísia. Hoje, a Espanha tem seis gols de saldo de vantagem em relação aos ucranianos, os únicos que ainda podem tirar dos espanhóis a primeira posição do grupo.

A motivação dos reservas espanhóis tem sido a principal preocupação do técnico Marcos Paquetá. A Arábia Saudita tem poucas chances de classificação, pois precisa vencer a Espanha por três gols de diferença e ainda esperar por uma vitória por 1 a 0 da Tunísia contra a Ucrânia na outra partida do Grupo H.

"Será difícil para nós porque os reservas tentarão provar que podem estar na equipe principal. Eles estarão com muita vontade e termos que aprender a lidar com isso durante a partida", ressaltou Paquetá.

Reuters

Atacante Raúl tenta contra os sauditas recuperar confiança da torcida

No lado espanhol, os destaques são o jovem meia Cesc Fábregas e o veterano atacante Raúl. Os dois entraram no segundo tempo na vitória contra a Tunísia por 3 a 1 e foram fundamentais para a virada do time espanhol. Aos 8min do primeiro tempo, os tunisianos abriram o placar e mantiveram a vantagem até a segunda etapa, quando Raúl empatou. Já Fábregas, de 19 anos, participou dos três lances de gol da equipe e recebeu elogios do técnico, que destacou a boa visão de jogo do meia do Arsenal. .

"O importante é que o time soube se recuperar na segunda etapa. Não fiz tudo sozinho, nós crescemos como equipe e soubemos criar oportunidades de gol", destacou o modesto Fábregas após a partida.

Raúl, maior artilheiro da Espanha na história, teve seu desempenho muito criticado na preparação para a Copa e teve que se contentar com a vaga no campo. Contra a Arábia Saudita, o jogador poderá recuperar a confiança dos torcedores e do técnico do time.

Fora da partida desta sexta-feira, o atacante titular Fernando Torres perderá a oportunidade de alcançar o alemão Klose na artilharia do torneio, já que ficará fora do jogo. Nas três primeiras partidas da Copa, Klose marcou quatro gols, enquanto Torres segue na vice-liderança com três gols.

"A coisa mais importante é o time. Se alguns jogadores querem estar entre os maiores goleadores da Copa, teremos que chegar à semifinal e à final. Por isso, quero que a gente ganhe e termine em primeiro", garantiu o atacante, que marcou dois gols contra a Tunísia e um na goleada contra a Ucrânia na estréia.

A Espanha tenta acabar com o tabu de não conseguir vencer em momentos decisivos da Copa do Mundo. A seleção nunca conseguiu passar das quartas-de-final e seu melhor desempenho no Mundial foi um quarto lugar na Copa de 1950, quando a disputa não era feita em jogos eliminatórios. Na época, a Espanha participou de um quadrangular final com Brasil, Uruguai e Suécia. O time ficou em último do grupo.

Entre os espanhóis, um dos mais animados por entrar em campo é o goleiro Cañizares. O jogador ficou fora da Copa de 2002 por causa de um acidente insólito e agora poderá voltar a campo para defender a seleção. Há quarto anos, Cañizares era titular absoluto do time, mas deixou cair em seu pé uma loção pós-barba, rompeu o tendão do dedo e não pôde jogar.

"Um goleiro reserva dificilmente joga na Copa. Por isso estou empolgado para defender a Espanha nesta partida", destacou o goleiro.

AFP

Cortado em 2002, goleiro Cañizares jogará sua primeira partida numa Copa

Cañizares terá que ficar atento ao ataque saudita, que terá o estreante Al Harthi como principal surpresa. Al Kahtani, que participou de lances importantes no empate com a Tunísia e na derrota para a Ucrânia, sofreu uma lesão na coxa durante o treino e está fora da terceira partida da equipe.

"É uma péssima notícia para nós, pois ele é um jogador que gostaríamos de ter em campo nesta partida decisiva", lamentou Marcos Paquetá.
O atacante Al-Jaber, que já participou das últimas três Copas, também é uma boa opção para Paquetá. O jogador marcou o segundo gol no empate em 2 a 2 com a Tunísia na estréia.

"Eu vim aqui para jogar, sempre fico feliz em entrar em campo para defender o país. Mas estou tranqüilo e sei que devo jogar no segundo tempo", garantiu.

Al-Jaber é o maior artilheiro da Arábia Saudita, com 44 gols em 158 partidas oficiais pela seleção. Mesmo com poucas chances de classificação, Paquetá promete que seu time dará trabalho para os espanhóis.

"Temos poucas chances, mas vamos buscá-las até o fim. Os jogadores querem mostrar que o resultado do último jogo foi um acidente. A Ucrânia levou uma goleada da Espanha no primeiro jogo e depois se recuperou. Os árabes querem mostrar o valor do trabalho realizado e que estão defendendo o seu país", disse o treinador, que tenta motivar sua equipe após sofrer a goleada de 4 a 0 contra a Ucrânia na segunda rodada.

Os dois classificados do Grupo H cruzarão com os dois primeiros colocados do Grupo G, que tem França, Coréia do Sul e Suíça ainda na disputa pelas vagas.

Arábia Saudita
Zaid; Dokhi, Tukar, Al Montashari, Sulimani; Noor, Khariri, Al-Temyat, Aziz, Ameem; Al Harthi
Técnico: Marcos Paquetá

Espanha
Cañizares; Salgado, Juanito, Marchena, Antonio López; Fábregas, Albelda, Iniesta; Joaquín, Raúl, Reyes
Técnico: Luis Aragonés

Local: Fritz-Walter-Stadion, em Kaiserslautern
Capacidade: 41.513
Árbitro: Coffi Codjia (BEN).
Assistentes: A. Aderodjou (BEN) e M. Ndoye (SEN)
Horário: 11h (de Brasília)

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