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09/07/2006 - 22h27

"Minha obrigação era não fazer nada", diz Roberto Carlos à TV

Da Redação
Em São Paulo
O lateral Roberto Carlos se tornou um dos vilões da seleção brasileira na Copa do Mundo da Alemanha. De ídolo, ele passou a ser contestado principalmente no lance que originou o gol da vitória da França por 1 a 0, nas quartas-de-final da competição.

AFP

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Roberto Carlos reage depois da derrota para França na Alemanha

O gol que culminou com a eliminação do time dirigido pelo técnico Carlos Alberto Parreira começou em uma cobrança de falta de Zidane, pela meia-esquerda do ataque francês. Ele alçou a bola, que cruzou toda a área e parou nos pés de Henry. Livre, ele empurrou para as redes.

As imagens de televisão mostram que, antes de Zidane partir para a cobrança, Roberto Carlos é o jogador mais próximo de Henry. Quando a bola parte, o brasileiro fica estático, abaixado como se arrumasse sua meia enquanto o francês acompanha a bola em velocidade e elimina o Brasil da Copa.

Para o lateral-esquerdo, sua postura no lance não deveria ser diferente. "Nós tínhamos ensaiado de não entrar na grande área, já que a bola é sempre do goleiro. Se eu entro sozinho na área e os outros não entram, eu dou condições. Minha obrigação era de não fazer nada, fiz o que tinha de fazer. Com a minha estatura, não posso saltar com um homem de 1,90 m", comentou o jogador, em entrevista veiculada neste domingo pelo "Fantástico", da TV "Globo".

Após a partida, Roberto Carlos decidiu que não vestiria mais a camisa da seleção brasileira. "Estou me despedindo da seleção, mas me despedi com uma derrota que vai ficar marcada na minha vida para sempre. Seleção agora é passado, desejo sorte para quem chega", comentou.

Roberto Carlos é o segundo jogador que mais vestiu a camisa da seleção brasileira, com 132 partidas, atrás apenas de outro lateral, Cafu, seu companheiro nas disputas das Copas de 1998, 2002 e 2006, com 150. "Queria bater ou diminuir a diferença para ele, mas não dá, é muita pressão. A parte psicológica vai embora", afirmou. "Não é um gol que vai apagar a minha trajetória na seleção brasileira."

O lateral revelou que o ambiente no vestiário após a derrota era o pior possível. "[A sensação era de] impotência. Ia fazer o quê, bater a cabeça na parede? Era muita tristeza só de olhar na cara de cada amigo. Um gol apagou todo o nosso ambiente. O vestiário em silêncio, todo muito abatido pela derrota. Eu jamais pensei que fosse passar isso. Outra vez perder para a França foi triste porque sabíamos que éramos os melhores do mundo, os melhores da competição."

Aposentado da seleção, mas em atividade pelo Real Madrid (ou pelo Chelsea, clube interessado em seu futebol), Roberto Carlos sonha em voltar ao time nacional, mas no lugar hoje ocupado por Parreira. "É uma idéia que atrai muito. O pensamento que eu tenho é de ser treinador. Vou parar daqui uns três, quatro anos, e meu planejamento é ser técnico da seleção."

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