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30/06/2006 - 20h33

Temor do Brasil, "fator Europa" fala alto pela 1ª vez na Copa

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Frankfurt (Alemanha)

Antônio Gaudério/Folha Imagem

Ronaldo se reencontra com a França oito anos depois da polêmica final

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Até agora, ele havia aparecido de maneira tímida, com a rasa tradição da Croácia, eliminada ainda na primeira fase. Agora, o "fator Europa", sempre ressaltado pela comissão técnica do Brasil, aparece pela primeira vez com força na Copa do Mundo da Alemanha neste sábado, às 16h (horário de Brasília), em Frankfurt, no duelo contra a França. E não vem só. Carrega consigo os riscos de um jogo eliminatório, um adversário experiente que abriu feridas ainda não cicatrizadas, um craque com fama de carrasco e, como se não bastasse, a possibilidade de virar "freguês" - em três duelos contra o Brasil em Copas, a França tem duas vitórias (1986 e 1998) contra um êxito brasileiro (1958).

Desde que deixou de responder a perguntas sobre classificação para a Copa e passou a analisar só o Mundial em si, o técnico Carlos Alberto Parreira e seus parceiros têm dito que uma Copa na Europa é "diferente". Descartam teorias conspiratórias, mas se apóiam no histórico de superioridade gritante dos locais em torneios disputados no Velho Continente para apontar que um triunfo além do Atlântico sempre requer algo mais.

E será contra essa França, liderada por Zidane, que o Brasil tentará sua primeira vitória numa Copa disputada na Europa diante de uma seleção local que já tenha conquistado o título mundial. A primeira oportunidade foi em 1938, na Itália. O time nacional caiu contra os anfitriões, então campeões, nas semifinais. O duelo contra os franceses neste sábado será o segundo do gênero. E ele tem esse status justamente graças a um jogo que teve o Brasil como co-protagonista.

Ele (Ronaldo) nem fala nesse assunto de 98

Carlos Alberto Parreira, tentando esvaziar o clima de revanche contra a França
Foi na última derrota do Brasil numa Copa do Mundo, 12 jogos atrás, que a França faturou o seu primeiro, e até aqui único, título mundial. Na ocasião, a seleção entrava em campo como favorita, mas uma crise nervosa de Ronaldo, o conseqüente abalo do restante do grupo e uma atuação impecável da equipe européia, liderada por Zidane, registraram o 3 a 0 - maior diferença imposta ao Brasil numa Copa.

Alguns jogadores falam em dar o troco, o coordenador-técnico Mario Jorge Lobo Zagallo fala em "ranço", mas Parreira veta qualquer revanchismo. Insiste que o assunto não foi abordado na concentração.

"Revanche contra a França só em outra final, agora são quartas", respondeu o treinador. E descarta que Ronaldo, personagem da partida de oito anos atrás, tenha qualquer expectativa quanto ao jogo além de simplesmente vencê-lo.

"Não falei com ele, e nem irei (sobre a final de 1998). Ele nem toca nesse assunto de 98", afirmou o treinador. "Ele está muito bem, muito tranqüilo, confiante, não tem nenhum trauma. Tenho certeza absoluta disso", completou Parreira.

Mas quem esteve na decisão de 1998 e não tem a chance de rever Zidane, Barthez e Thuram do outro lado pede para que a derrota seja devolvida. "Pedi para o Cafu para não esquecer de 1998. Aquilo sempre passa pela minha cabeça, principalmente os gols do Zidane. Não podemos deixar acontecer de novo", comentou Taffarel, que visitou a delegação brasileira em Bergisch Gladbach ao lado da esposa e dos filhos.

Mais que qualquer lembrança, no entanto, o que realmente preocupa Parreira é a força francesa, que ele vê em ritmo ascendente.

Reuters

Zidane tenta outra glória contra o Brasil, mas pode sair de campo aposentado

"Eles cresceram no momento certo da competição", avaliou o técnico, numa referência à virada por 3 a 1 contra a Espanha. A vitória foi selada com um gol de Zidane. "Se dermos espaço, ele pode fazer a diferença", avisou o treinador, que não vê como necessária marcação individual sobre o meia.

Parreira considera como principal problema o estilo "abrasileirado" dos franceses em desenvolverem seu jogo. "É um time experiente, não apressa o jogo, não acelera, sabe dar o golpe na hora certa", analisou. "O Brasil não tem outra opção a não ser jogar bem. Tem que jogar bem para eliminar a França", completou.

Ronaldinho Gaúcho, a quem o técnico tem ora "solicitado" melhor futebol, ora defendido das cobranças, é quem descarta uma reedição da final de oito anos atrás.

"A França é uma equipe que conhecemos muito bem, não seremos surpreendidos como em 1998. Não estava naquela equipe à época, mas os que jogaram contaram o que aconteceu. Agora não será a mesma coisa", escreveu o meia-atacante em artigo que assinou num diário espanhol.

BRASIL
Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson (Gilberto Silva), Zé Roberto, Kaká (Juninho Pernambucano) e Ronaldinho Gaúcho; Adriano e Ronaldo

Técnico Carlos Alberto Parreira

FRANÇA
Barthez; Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Makelele, Vieira, Malouda, Zidane e Ribéry; Henry
Técnico: Raymond Domenech

Data: 01/07/2006, sábado
Local: Commerzbank Arena, em Frankfurt
Horário: 16h (horário de Brasília)
Árbitro: Luis Medina Cantalejo (ESP)
Auxiliares: Victoriano Giráldez Carrasco (ESP) e Pedro Medina Hernández (ESP)


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