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29/06/2006 - 19h59

Pelé prevê vitória da França e aumenta "guerra fria" com seleção

Da Redação
Em São Paulo

Reuters

Reuters

Com Beckenbauer, Pelé (à dir.) conheceu sua réplica de cera

O mais novo palpite de Pelé deve congelar ainda mais sua "guerra fria" com os jogadores da seleção brasileira. Em entrevista à agência de notícias alemã DPA divulgada nesta quinta-feira, o "Rei do Futebol" previu uma vitória da França diante de seus compatriotas na partdia deste sábado.

Ao visitar a "Pelestation", uma exposição sobre sua carreira em Berlim com a presença de Beckenbauer, Pelé disse que está com um "mau pressentimento" e justificou seu palpite nos franceses com dados de retrospecto.

Para ele, os franceses venceram os dois últimos confrontos; nenhum sul-americano vence uma Copa na Europa desde 1958; e seleção que começa favorita não ganha o título.

Certo ou não em seu palpite, Pelé deve ser rebatido pelos jogadores da seleção, com quem as relações vão de mal a pior. E cada declaração do "Rei" só deixa a possibilidade de uma reconciliação mais distante.

Em março deste ano, Pelé afirmou que problemas pessoais estavam atrapalhando Ronaldo dentro de campo. O atacante do Real Madrid rebateu dizendo que Pelé "foi um oportunista barato" e pediu que ele o deixasse em paz.

No início de junho, Pelé disse ao jornal britânico "The Times" que os atacantes tricampeões da seleção de 1970 eram mais organizados que os atuais.

A declaração repercutiu e o técnico Parreira foi irônico: "Eu não consigo comparar 1970 com 2006. Tudo no mundo mudou muito, seja na medicina, seja no futebol. Fico feliz que o Pelé consiga fazer essas comparações, que ele tenha essa capacidade. Eu não consigo".

O capitão Cafu também reclamou: "Eu acho que o nosso grandioso Pelé foi muito infeliz na declaração dele. O Pelé deveria usar as palavras dele para o bem, trazer o povo a favor da seleção e incentivar a garotada do time. Não para fazer um confronto e comparar a seleção de 70 com a de hoje".

Já Roberto Carlos foi ainda mais longe, chegando a dizer que o colega Cafu representava mais para a seleção que o "Rei".

Na Copa de 2002, Pelé já tivera atritos com a seleção através da imprensa porque fizera críticas antes da Copa.

Quando o Brasil venceu a Alemanha na final e conquistou o penta, Pelé apareceu no pódio no momento da entrega das medalhas e da taça. Os jogadores nitidamente ficaram desconfortáveis com a presença de quem os tinha criticado semanas antes.

Porém, Pelé vem construindo uma reputação internacional de "mau palpiteiro".

Depois de erros de avaliação históricos como apostar na Colômbia como campeã de 1994 (saiu logo na primeira fase), nesta Copa Pelé enalteceu o futebol do Equador (saiu nas oitavas de-final, depois de perder para uma Inglaterra medíocre).

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