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29/06/2006 - 11h31

Messi e Podolski farão novo capítulo da velha rivalidade

Das agências internacionais
Em Herzogenaurach (Alemanha)
A rivalidade entre Argentina e Alemanha é antiga e passa por duas Copas do Mundo, cada uma vencida por uma das seleções. E agora volta a fervilhar.

Os times se enfrentarão novamente na sexta-feira, em partida válida pelas quartas-de-final da Copa do Mundo. Desta vez, os protagonistas serão os jovens talentos Lionel Messi e Lukas Podolski. A disputa entre os países, no entanto, já pegava fogo muito antes dos dois começarem suas carreiras.

Messi, que acabou de completar 19 anos, não tinha nascido quando Diego Maradona liderou a Argentina na vitória por 3 a 2 sobre a Alemanha na final da Copa de 1986. Quatro anos depois, a Alemanha teve sua revanche em nova final entre as duas seleções, que os alemães venceram por 1 a 0.

"Eu assisti o jogo em vídeo", afirmou Messi.

Lukas Podolski, de 21 anos, com três gols pela Alemanha nesta Copa do Mundo, admite não ter lembranças da última grande conquista do seu país.

Naquela final, a Argentina estava à frente no placar por 2 a 0, com gols de Jose Luis Brown e Jorge Valdano. Mas em 10 minutos, Karl-Heinz Rummenigge e Rudi Voeller marcaram um gol cada um e empataram a partida.

Maradona, ídolo de Messi, recebeu a bola no meio-campo e deu um passe preciso a Jorge Burruchaga, que marcou o terceiro gol e decretou a vitória da Argentina.

"Quando os alemães empataram, não tive o menor medo", afirmou Maradona em sua autobiografia, publicada em 2002. "Nós sabíamos que a vitória viria e ela veio."

Uma multidão de 114.600 torcedores assistiram à partida no Estádio Azteca, na Cidade do México, muitos dos quais mexicanos torcendo para a Alemanha.

A Copa de 1986 entrou para a história como o torneio de dois gols inesquecíveis de Maradona, ambos contra a Inglaterra. O primeiro deles ficou famoso como o gol da "mão de Deus". O segundo, resultado de dribles sobre quase meio time inglês, é considerado por muitos o gol mais bonito de todas as Copas do Mundo.

Quatro anos depois, o confronto que se seguiu, em Roma, era previsto como outra memorável partida. Mas o Estádio Olímpico foi palco de um dos jogos mais pobres e tediosos da história das Copas.

Antes mesmo da partida começar, a torcida enfureceu com a entrada de Maradona em campo.

"Os italianos do norte do país nunca perdoaram Maradona por liderar o modesto Nápoles em vitórias sobre tradicionais clubes com a Juventus, Inter ou Milan", afirmou o jornalista argentino Sergio Levinsky. Além disso, a Argentina vinha de uma vitória sobre a Itália.

Maradona, ainda não totalmente recuperado de uma lesão no pé, não mostrou seu melhor futebol e o time sofreu em campo. A vitória só surgiu com a cobrança de pênalti de Andreas Brehme, a cinco minutos do término do jogo.

Com apenas um gol, um fraco futebol e cartões vermelhos para os argentinos Pedro Monzon e Gustavo Dezotti, a final de 1990 é uma partida a ser esquecida.

Nestor Lorenzo, meio-campo da Argentina naquele dia e atual assistente do técnico José Pekerman, repetiu uma velha reclamação dos argentinos, quando lembram da fatídica partida: "O árbitro deu um pênalti que não existiu."

Franz Beckenbauer tornou-se campeão mundial no comando da Alemanha em 1990, time que tinha Jürgen Klinsmann, atual técnico alemão, como um dos atacantes da equipe.

Beckenbauer, presidente do comitê organizador do Mundial, estará presente no estádio Olímpico de Berlim, assim como Maradona.

O técnico argentino em 1990 era Carlos Bilardo, que lembrou de uma substituição que Beckenbauer fez na equipe quando a Argentina estava com 10 jogadores em campo.

"Na hora ele tirou um zagueiro de campo. Mas pôs outro zagueiro no lugar", se espantou Bilardo, em recente entrevista ao La Nación. "Esse cara realmente nos respeita. Quem sabe? Se ele arriscasse poderia ter tido uma chance."

A partida de sexta-feira não vale a taça, mas certamente renderá história para a velha rivalidade entre as seleções.

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