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Fernanda Brambilla
Em São Paulo

Se vai viajar para a Copa da Alemanha, descubra onde está se metendo. Se não vai, veja abaixo do que se livrou. O povo de lá também é fã de futebol, "zamba" e cerveja. Mas as coincidências param por aí. Por isso, todo o cuidado é pouco na hora da confraternização com eles.

Pensando nisso, o UOL Esporte separou algumas dicas que podem ser muito úteis para garantir que diferenças culturais não virem encrencas para quem vai ver, comer, viver a Alemanha. Para quem fica, vale como um consolo já que, além da economia de não gastar uma dinherama em passagem, hospedagem e ingressos, vai ser poupado de várias enrascadas (e poder torcer com os amigos, amendoim e no idioma que domina...)

Beijação, não!

Se para muitos europeus, beijo é comum entre pessoas do mesmo sexo, os alemães são mais reservados -o que aumenta a fama de um povo frio, sem emoção. Eles simplesmente não estão acostumados com a nossa beijação. No Brasil, é beijo no rosto na hora que chega, quando apresenta, na hora que vai embora, na hora de dar parabéns. Com os alemães é diferente. Vai cumprimentar aquele simpático casal de velhinhos que o hospedou? Primeiro contato com aquela loirinha com um caneco de cerveja na mão? Não arrisque: aproxime-se, abra o sorriso e estenda a mão. A maioria vai preferir assim.

Hitler quem?

Apresentação feita, e lá vem a pergunta infalível: "Você conhece alguma palavra em alemão?" Tente se segurar para não soltar aquela: "Conheço três! Hallo (olá), Danke (obrigado), Hitler!". Brincadeirinhas indefesas podem adquirir um peso muito maior se você fizer comentários engraçadinhos sobre a guerra, o nazismo ou Adolf Hitler. Gestos que remetam à saudação nazista em público então, nem em piada. Pode gerar um bate-boca sério. A Alemanha vive uma onda crescente de grupos que se dizem neonazistas, que são uma grande ameaça à tranqüilidade da Copa do Mundo. O melhor é abusar da animação brasileira, que encanta os alemães que, depois da segunda caipirinha, nem são tão tímidos assim. E nada de Hitler

Banho de gato

Para quem aproveitou um dos programas de hospedagem e vai ficar na casa de uma família, aproveite que os alemães estão no clima e deverão fazer de tudo para facilitar a comunicação com os ilustres hóspedes, inclusive achar divertida a batucada-barulheira-bagunça da torcida do Brasil. Mas vale a dica: barulho, até às 22h, salvo exceções, claro, a definir com os donos da casa. E barulho também inclui o chuveiro. Não estranhe se lhe pedirem para tomar banho antes das 22h. Se, na hora em que sair do banheiro, limpinho e cheiroso, se deparar com caras emburradas, pode acreditar, você demorou demais. Na Alemanha, a água é muito cara e, para eles, demorar mais de 10 minutos debaixo da ducha é um luxo.

Torcida feminina

Dica para as mulheres (torcedoras ou simples acompanhantes): nos estádios a pouca roupa é permitida, celebrada pelos marmanjos e a possibilidade de assédio é pequena. Para um país com um inverno rigoroso, 20ºC é motivo de festa e pele de fora. Nos parques, é comum ver mulheres tomando sol de topless. Nos estádios, não vai ser diferente. A maquiagem patriótica também vai imperar na Alemanha. Mas tem um problema. Quer pintar as unhas com as cores do país? Vai ter de se virar, porque na Alemanha as manicures são raridade: a mulherada tem sempre o kit esmalte-acetona na bolsa.

Estupidamente morna

Uma vez na Alemanha, nada melhor do que provar a famosa cerveja. Mas não se iluda: pode esquecer a tal "loira gelada". Nos bares, a bebida é servida, quando muito, fresquinha. Para os alemães, cerveja muito gelada perde o sabor, um sacrilégio! Há, porém, novas marcas com sabores diferentes, como as com toque de limão, que disfarçam o amargo característico. Para quem pensou em levar umas a mais para viagem, má notícia. É raro achar latinhas, em bar cerveja é servida no copo ou em garrafa.

"Sim" quer dizer "sim"

Convidar uma alemã para um jantar romântico pode causar estranhamento: os alemães, ainda mais no verão, comem à noite o que chamam de "Abendbrot", o "pão da noite". Na prática, só um lanche com pão, queijos e patês. Por outro lado, se um alemão oferecer algo, não hesite e aceite logo: eles não perguntam duas vezes. O alemão, diferentemente do brasileiro, não segue a cultura do "dizer não mesmo quando quer dizer sim". Sabe aquele costume de oferecer algo por educação ("tá servido?")? Não tente isso com os alemães. Eles vão pegar a última bolacha do seu pacote, sem dó.

Mania de limpeza

Os alemães são, digamos, neuróticos com sujeira. O nível de organização é tal, que nada (de papel de bala, passando por lenço de papel até pedacinho de embalagem) pode ser jogado no chão. Qualquer deslize visto por um policial -que estarão aos montes nas ruas para evitar tumultos- custará a singela quantia de 75 euros em multa. Cinzas de cigarro, para os alemães, são consideradas sujeira. Então para não virar motivo de multa, o cigarro tem que ser apagado na lixeira. Jogar a bituca no chão e terminar o serviço apagando com uma pisada? Para os meticulosos germânicos, pegar a bituca apagada e esmagada no chão e jogá-la no lixo também não vale. O chão sujo pelas cinzas vale uma multa também. O esforço, porém, é premiado: a punição é de 20 euros.

Hora das compras

Se a lista for longa, ao chegar no supermercado você já procura a fila dos carrinhos de compra, puxa e nada do carrinho sair. Pode apoiar com o pé, chacoalhar, nada. Para liberá-lo, vai desembolsar, dependendo do supermercado, 1 ou 2 euros. Ao pôr a moeda, o carrinho é solto para o uso. Na hora da devolução, libera a moeda. Aí, você, claro, vai direto procurar cerveja - a de latinha. Na hora de pagar, um porém: cada latinha tem o acréscimo de 0,25 euros, que corresponde ao valor da embalagem de alumínio. Quando você, cidadão consciente, devolver as latinhas vazias ao mesmo supermercado onde as comprou, recebe de volta os 0,25 de cada uma. Conta paga e...cadê a sacolinha de plástico? Também pela conscientização ambiental, é costume cada um levar de casa a sua sacolinha, cesta, caixa, o que for para carregar as compras, ou terá que comprá-la. E empacotar você mesmo, porque empacotador lá não existe.

Lembranças da auto-escola

Se você escolher desbravar a Alemanha de carro, só fique atento a alguns detalhes. Lá, onde houver faixas de pedestre, elas têm de ser respeitadas. Isso quer dizer: pé no freio. Se um único pedestre estiver na calçada na direção da faixa, é motivo suficiente para parar o carro e esperar o pedestre fazer sua travessia. Se não tiver ninguém na rua e você não diminuir a velocidade, especialmente em cidades pequenas, o guarda pode vir dar aquele sermão. Na hora de mudar de faixa, dê seta. Não tem ninguém atrás? Dê seta mesmo assim. Trocar de faixa sem sinalizar vale multa mesmo se você estiver sozinho na rua.

Na estrada

Nas rodovias, não se espante se não aparecer a indicação da velocidade máxima. A Alemanha tem trechos de velocidade ilimitada. Você vai perceber quando carros passarem a 200 km/h do seu lado. Muitos colecionadores de carrões visitam o país para desfilar Porsches e Ferraris. Na hora de abastecer, não se espante se todos os postos de gasolina estiverem aparentemente abertos, mas vazios. Lá você é o frentista. Pode abastecer e depois acerte no caixa. Se puder escolher, encha o tanque antes de pegar a estrada, porque nos postos da "Autobahn" a gasolina é mais cara.

No metrô, moedas

Uma dica para a ida aos estádios nos dias de jogos da Copa é pegar o 'U-Bahn', o metrô alemão. Na maioria das estações, está previsto o serviço de transporte de ida e volta do estádio de graça. Dentro das estações, não há guichês, a compra é feita em máquinas que, como as que existem aqui, só aceitam o valor exato. Para não se enrolar, repare que, no começo da operação, é possível escolher o idioma na máquina - inglês, espanhol e francês nas estações mais movimentadas. Se o desespero bater fiscais substituem nossa catraca eletrônica. Instruídos para a Copa, serão prestativos ao explicar como chegar aonde você quer ir. Na Alemanha, o preço do bilhete é de acordo com o trajeto que será feito, então decida antes em que estação você vai parar.

Meu amigo, o policial

Está perdido, não lembra o endereço, foi roubado, precisa de ajuda? Em caso de pânico, procure um policial. Eles foram treinados não só para punir infrações, mas podem ajudar no que for preciso e são muito acessíveis. Em casos extremos, o policial alemão pode fazer o papel daquele amigo de confiança. Se você beber demais em uma comemoração pós-jogo, o policial facilmente chamará um táxi para levá-lo para casa e assegurar que você não fique largado na rua.

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